quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Votar na igualdade ou na misoginia?


De fato não sou petista, feminista nem político. Posso ser até reacionário mas não consigo ficar impassível diante das confusões políticas que ganharam a cena em Governador Valadares. Tenho certeza de que todos os candidatos são bem intencionados. Apesar disto, devemos ter consciência de que uns são mais bem intencionados do que outros! Não é segredo que em tempos de campanha todos se apropriam dos infortúnios da cidade como tema de palanque. Os problemas são muitos, é claro: moradores do centro dizem que o trânsito está caótico; os dos bairros mais centrais que os impostos são altos; os dos bairros mais afastados reclamam do preço da passagem entre outros. Neste contexto os preocupados com o futuro clamam por um sistema educacional 100% quando nós professores mal atingimos os 80.
Na corrida ao poder há até quem diga que resolverá o problema da saúde de GV quando, de fato, esta depende não só da política mas sobretudo do interesse e responsabilidade de cada cidadão. Se efetivamente o objetivo é elevar a saúde deve-se beber menos cerveja e refrigerantes dando preferência ao velho e saboroso copo d’água. Churrasco, feijão tropeiro, torresmo de b a r r i g a, nem pesar. Ter saúde começa com aqueles hábitos saudáveis que não gostamos de praticar exatamente por conhecê-los. Brilhantes mentes desta cidade dizem que o atraso em que se encontra GV se deve à mentalidade agrária que a governou. Se é verdade, por que então do desejo e esforço de colocá-la novamente no poder.
Não sou de GV! Por este motivo, mesmo que me chamem de forasteiro afirmo que continuarei amando este lugar e daqui não pretendo mais sair. Assim como eu, tantos outros que para aqui vieram querem ver esta cidade crescer e dar oportunidades, sobretudo àqueles que até agora quase não a tiveram.
Precisamos acordar! Não existem cidades perfeitas, educação perfeita, saúde perfeita. Isto só no Paraíso (e talvez, pois senão Adão ainda estaria por lá). Nesta cidade há muito para se construir e isto não se faz em quatro anos. Uma cidade melhor procura reduzir as disparidades sociais através de investimentos em educação e elevação do nível de emprego. Nada mais correto do que investir nos bairros mais distantes do centro, na vinda da Universidade Pública e gratuita, em empregos de nível fundamental e médio. O objetivo tem que ser o de democratizar o “bem estar social”, reduzir a extrema pobreza e dar oportunidade de trabalho como tem sido feito nos últimos anos.
Certamente todos os candidatos possuem boas intenções. Todos dizem que farão o melhor e tenho certeza de que tentarão mesmo não sabendo como fazê-lo. Estou ciente de que o momento ainda é de confiar em quem está fazendo e continuará a fazê-lo. Embora todos tenham as melhores intenções, percebo que as da Elisa ainda são mais intenções do que as outras. Para falar a verdade, ao ver e ouvir as manifestações populares sobre a política uma questão me intriga: Por que em vez continuar lutando pelo respeito e igualdade, os homens cultos e as mulheres desta cidade preferem fazer retornar e manter acesa a cultura misógina que fez parte da história valadarense?

sábado, 24 de setembro de 2011

Vivemos em tempos de diversidade

Vivemos em tempos de diversidade. Não existem sociedades homogenias. Os valores, pensamentos e posicionamentos não podem ser idênticos para todos os atores sociais. As noções de liberdade, verdade, direito e igualdade dependem do lugar em que cada um se situa. Somos livres para vir, ficar ou ir. Podemos repetir o passado, alterar o futuro ou simplesmente permanecer no presente.
Enfrentamos tempos difíceis. Não existem paraísos terrestres. Os sentimentos de dor, felicidade, prazer, sucesso, oportunidade, equidade dependem do que cada um é capaz de viver, suportar, conquistar.
Relacionar verdadeiramente é aceitar o modo de ser de cada um. Aprender a respeitar escolhas, posicionamentos, atitudes, peculiaridades é uma atitude reveladora de dignidade, habilidade e capacidade de viver no mundo dos humanos.
Ouvir antes de falar, ler antes de interpretar, entender antes de dizer não, ajudar antes de virar as costas, dialogar antes de brigar são atitudes que compõem nossa humanidade.
Há aqueles que param para fazer avançar, há aqueles que andam para garantir que alguém possa parar. Há os que refletem, os que programam, os que fazem e os que participam. Cada um em seu tempo, em sua capacidade de suporte, em sua posição, em sua habilidade de entendimento não deixa de ser responsável pelo presente cujos resultados só podem ser verdadeiramente conhecidos no futuro.
Nos tempos de diversidade nada mais prudente existe de que entender e aceitar que só aqueles que desejarem podem de fato ser como nós somos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Relação afetiva: até que ponto pode dar certo?

Penso não haver dúvidas de que de que incertezas, expectativas, temores e prazeres que servem de pano de fundo no início dos relacionamentos tendem a sobreviver ao tempo, em especial quando o investimento é bem sucedido. É claro que, nestes casos, dificilmente os envolvidos entendem da mesma forma o que se pode chamar de sucesso. Afinal, continuar juntos é já indício de que alguma coisa existe em comum. No início dos relacionamentos com certa facilidade se obtém do outro exatamente aquilo que o outro também está disposto a oferecer. Por tal motivo os príncipes e princesas são rapidamente identificados e cada vez mais se deseja garantir a continuidade da doce sensação de estar vivendo num paraíso terrestre.
Lembro-me de alguém que me disse uma vez que conquistar é fácil, o difícil é manter a conquista. Por mais que a aura de otimismo possa fazer parte dos corações apaixonados tal pensamento não é de todo injustificado. No intuito de garantir a presença daquele ou daquela considerada “cara metade” inicia-se um processo de cerceamento da liberdade, espontaneidade, sociabilidade que tanto contribuíram para o momento da descoberta. De alguma forma cada um esforça-se em fazer com que o outro pense, goste e haja como ele desconsiderando ou punindo todo um modo de ser, que se constitui na verdadeira riqueza a ser compartilhada no relacionamento.
Quando se diz que depois de algum tempo os príncipes e princesas começam a dar lugar a sapos e sapas, deve-se perguntar até que ponto você está transformando o outro (que se apresentou de forma livre, espontânea, dedicando a você o melhor que poderia lhe oferecer) em “escravo do seu amor”. De fato, ao serem criadas regras que o outro deve cumprir como condição para estar juntos, de alguma forma repete-se um comportamento até certo ponto aceitável na relação pais e filhos mas não na relação afetiva. É factível que os pais concentrem grande parte de suas energias na transformação de seus filhos em uma espécie de cópias daquilo que eles são, sobrando pouco tempo à relação de amor e amizade de que tanto os filhos necessitam. Por melhores que sejam suas intenções, quanto mais regras são impostas, mais os filhos buscam contorna-las. Esta é uma tendência também observada nas relações afetivas restritivas.
No relacionamento, os sonhos se transformam sim em pesadelos e somos nós os responsáveis por este sortilégio. Contudo, abaixo o desespero! Embora não seja possível garantir, pelo menos pode-se apostar na máxima de que ao se respeitar o modo de ser do outro, aumenta-se a probabilidade de que o relacionamento dê certo. Para que as chances disto ocorrer sejam aumentadas, uma regra essencial, e porque não dizer “lei fundamental do relacionamento” deve ser cumprida: da mesma forma que respeita e valoriza o modo de ser do outro, o outro também deve respeitar e valorizar o teu modo de ser. O não cumprimento desta “lei” contribui para o iminente fim do relacionamento, ou pelo menos dos sentimentos de felicidade de um dos parceiros. Não restam dúvidas de que em todos os relacionamento existem renúncias. Porém nenhuma renúncia deve implicar na perda da alegria e da liberdade de viver e de ser o que se é. Portanto, para aumentar as possibilidades de sobrevivência de sua relação ame e seja amado com liberdade.

sábado, 23 de julho de 2011

Viagem pelo passado

Foram 470 Km, seis horas de viagem com uma parada de 20 minutos. Considerando as duas retenções provocadas pelas obras da Rio Bahia pode-se dizer que foi muito rápida. Durante o trajeto não foi necessário ligar o som (vale dizer que o CD colocado no aparelho é o mesmo que roda há mais de um mês). Embora tivesse deixado os vidros com uma leve abertura para garantir que as senhorinhas não sentiriam falta de ar, ouvi histórias que remontam a 75 anos.
Para minhas tias era a primeira viagem que faziam à Governador Valadares. Meus esforços em distraí-las ou tornar a viagem mais agradável e inusitada mostrando a paisagem que incluía desde os morros de cafezais que minha amiga Leslie Agrain sempre desejou visitar até o cerrado que se constitui na grande paixão de meu amigo Prof. Mauro Augusto, foram em vão. As lembranças que fazem parte da história de cada uma delas as acompanham em todos os lugares não sendo superadas pelo que se pode ver no presente.
É claro que carinhosamente e em todo o tempo cada uma faz algumas sugestões para as outras no intuito de orientar como a outra deverá ou deveria fazer ou ter feito para resolver este ou aquele problema. Mais interessante é que uma sempre diz que a outra não está muito bem da cabeça, de saúde ou que deveria comer um pouquinho menos para reduzir o peso. A maior dificuldade é saber exatamente quem está com um pesinho a mais ou a menos. Apesar das tensões próprias da viagem, a companhia delas tornava interessante o percurso.
Não há como esconder o fato de que ficamos apreensivos quando assumimos a responsabilidade de viajar com, cuidar de, conviver com e fazer algo em companhia dos mais velhos. Se deixarmos de lado nossa zona de conforto relativa ao relacionamento e dedicarmos um pouco de nosso tempo àqueles que praticamente dedicaram à nós todo seu tempo, podemos perceber que devemos viver intensa e constantemente o presente sem jamais sermos presos pelo passado.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tempo e bom senso

Quando a vida conjugal não vai bem é comum que um dos cônjuges seja o primeiro a procurar ajuda terapêutica.  Isto ocorre porque aquele que procura o psicólogo é quem deseja ou a separação ou reverter o processo que anuncia o iminente rompimento.  Independentemente do objetivo da procura, o profissional é normalmente questionado se o atendimento será realizado individualmente ou com o casal.
Da mesma forma que não existem receitas para tudo, esta também é uma questão cuja resposta exige bom senso. É preciso avaliar o grau de animosidade do cliente quanto a participação do cônjuge no processo psicoterápico. Se inicialmente deve ser realizado um trabalho individual, faz-se necessário que com o tempo sejam criadas estratégias para que o cônjuge seja convidado à participação.
Se o problema é meu, eu resolvo; se o problema é seu, você resolve; se o problema é nosso ... Se no passado a decisão de iniciar uma vida em comum foi tomada pelo casal, no presente, a decisão de romper ou não a aliança deve ser tomada em conjunto. Deve-se criar todas as possibilidade para que o casal seja capaz de iniciar e dar continuidade ao diálogo para o enfrentamento do problema.
Um cuidado a se ter é o de não precipitar um término quando os envolvidos não estão totalmente seguros de que é isto o que desejam. Pode-se dizer que tal desfecho é inadequado enquanto não se esgotarem todas as possibilidades de diálogo. Se houver qualquer dúvida se existe ou não amor bem como outros sentimentos positivos entre o casal, deve-se permitir que o tempo também haja como conselheiro.