Amor e Sexualidade
Além de questões relativas a amor e sexualidade, sempre existem outras que assombram nosso dia a dia. Falar sobre elas é uma forma de deixar para tras alguns fantasmas e seguir a vida em frente. Não sei exatamente o que se passa em tua cabeça. De qualquer forma podemos falar sobre isto...
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
sábado, 24 de setembro de 2011
Vivemos em tempos de diversidade
Vivemos em tempos de diversidade. Não existem sociedades homogenias. Os valores, pensamentos e posicionamentos não podem ser idênticos para todos os atores sociais. As noções de liberdade, verdade, direito e igualdade dependem do lugar em que cada um se situa. Somos livres para vir, ficar ou ir. Podemos repetir o passado, alterar o futuro ou simplesmente permanecer no presente.
Enfrentamos tempos difíceis. Não existem paraísos terrestres. Os sentimentos de dor, felicidade, prazer, sucesso, oportunidade, equidade dependem do que cada um é capaz de viver, suportar, conquistar.
Relacionar verdadeiramente é aceitar o modo de ser de cada um. Aprender a respeitar escolhas, posicionamentos, atitudes, peculiaridades é uma atitude reveladora de dignidade, habilidade e capacidade de viver no mundo dos humanos.
Ouvir antes de falar, ler antes de interpretar, entender antes de dizer não, ajudar antes de virar as costas, dialogar antes de brigar são atitudes que compõem nossa humanidade.
Há aqueles que param para fazer avançar, há aqueles que andam para garantir que alguém possa parar. Há os que refletem, os que programam, os que fazem e os que participam. Cada um em seu tempo, em sua capacidade de suporte, em sua posição, em sua habilidade de entendimento não deixa de ser responsável pelo presente cujos resultados só podem ser verdadeiramente conhecidos no futuro.
Nos tempos de diversidade nada mais prudente existe de que entender e aceitar que só aqueles que desejarem podem de fato ser como nós somos.
domingo, 7 de agosto de 2011
Relação afetiva: até que ponto pode dar certo?
Penso não haver dúvidas de que de que incertezas, expectativas, temores e prazeres que servem de pano de fundo no início dos relacionamentos tendem a sobreviver ao tempo, em especial quando o investimento é bem sucedido. É claro que, nestes casos, dificilmente os envolvidos entendem da mesma forma o que se pode chamar de sucesso. Afinal, continuar juntos é já indício de que alguma coisa existe em comum. No início dos relacionamentos com certa facilidade se obtém do outro exatamente aquilo que o outro também está disposto a oferecer. Por tal motivo os príncipes e princesas são rapidamente identificados e cada vez mais se deseja garantir a continuidade da doce sensação de estar vivendo num paraíso terrestre.
Lembro-me de alguém que me disse uma vez que conquistar é fácil, o difícil é manter a conquista. Por mais que a aura de otimismo possa fazer parte dos corações apaixonados tal pensamento não é de todo injustificado. No intuito de garantir a presença daquele ou daquela considerada “cara metade” inicia-se um processo de cerceamento da liberdade, espontaneidade, sociabilidade que tanto contribuíram para o momento da descoberta. De alguma forma cada um esforça-se em fazer com que o outro pense, goste e haja como ele desconsiderando ou punindo todo um modo de ser, que se constitui na verdadeira riqueza a ser compartilhada no relacionamento.
Quando se diz que depois de algum tempo os príncipes e princesas começam a dar lugar a sapos e sapas, deve-se perguntar até que ponto você está transformando o outro (que se apresentou de forma livre, espontânea, dedicando a você o melhor que poderia lhe oferecer) em “escravo do seu amor”. De fato, ao serem criadas regras que o outro deve cumprir como condição para estar juntos, de alguma forma repete-se um comportamento até certo ponto aceitável na relação pais e filhos mas não na relação afetiva. É factível que os pais concentrem grande parte de suas energias na transformação de seus filhos em uma espécie de cópias daquilo que eles são, sobrando pouco tempo à relação de amor e amizade de que tanto os filhos necessitam. Por melhores que sejam suas intenções, quanto mais regras são impostas, mais os filhos buscam contorna-las. Esta é uma tendência também observada nas relações afetivas restritivas.
No relacionamento, os sonhos se transformam sim em pesadelos e somos nós os responsáveis por este sortilégio. Contudo, abaixo o desespero! Embora não seja possível garantir, pelo menos pode-se apostar na máxima de que ao se respeitar o modo de ser do outro, aumenta-se a probabilidade de que o relacionamento dê certo. Para que as chances disto ocorrer sejam aumentadas, uma regra essencial, e porque não dizer “lei fundamental do relacionamento” deve ser cumprida: da mesma forma que respeita e valoriza o modo de ser do outro, o outro também deve respeitar e valorizar o teu modo de ser. O não cumprimento desta “lei” contribui para o iminente fim do relacionamento, ou pelo menos dos sentimentos de felicidade de um dos parceiros. Não restam dúvidas de que em todos os relacionamento existem renúncias. Porém nenhuma renúncia deve implicar na perda da alegria e da liberdade de viver e de ser o que se é. Portanto, para aumentar as possibilidades de sobrevivência de sua relação ame e seja amado com liberdade.
sábado, 23 de julho de 2011
Viagem pelo passado
Foram 470 Km, seis horas de viagem com uma parada de 20 minutos. Considerando as duas retenções provocadas pelas obras da Rio Bahia pode-se dizer que foi muito rápida. Durante o trajeto não foi necessário ligar o som (vale dizer que o CD colocado no aparelho é o mesmo que roda há mais de um mês). Embora tivesse deixado os vidros com uma leve abertura para garantir que as senhorinhas não sentiriam falta de ar, ouvi histórias que remontam a 75 anos.
Para minhas tias era a primeira viagem que faziam à Governador Valadares. Meus esforços em distraí-las ou tornar a viagem mais agradável e inusitada mostrando a paisagem que incluía desde os morros de cafezais que minha amiga Leslie Agrain sempre desejou visitar até o cerrado que se constitui na grande paixão de meu amigo Prof. Mauro Augusto, foram em vão. As lembranças que fazem parte da história de cada uma delas as acompanham em todos os lugares não sendo superadas pelo que se pode ver no presente.
É claro que carinhosamente e em todo o tempo cada uma faz algumas sugestões para as outras no intuito de orientar como a outra deverá ou deveria fazer ou ter feito para resolver este ou aquele problema. Mais interessante é que uma sempre diz que a outra não está muito bem da cabeça, de saúde ou que deveria comer um pouquinho menos para reduzir o peso. A maior dificuldade é saber exatamente quem está com um pesinho a mais ou a menos. Apesar das tensões próprias da viagem, a companhia delas tornava interessante o percurso.
Não há como esconder o fato de que ficamos apreensivos quando assumimos a responsabilidade de viajar com, cuidar de, conviver com e fazer algo em companhia dos mais velhos. Se deixarmos de lado nossa zona de conforto relativa ao relacionamento e dedicarmos um pouco de nosso tempo àqueles que praticamente dedicaram à nós todo seu tempo, podemos perceber que devemos viver intensa e constantemente o presente sem jamais sermos presos pelo passado.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Tempo e bom senso
Quando a vida conjugal não vai bem é comum que um dos cônjuges seja o primeiro a procurar ajuda terapêutica. Isto ocorre porque aquele que procura o psicólogo é quem deseja ou a separação ou reverter o processo que anuncia o iminente rompimento. Independentemente do objetivo da procura, o profissional é normalmente questionado se o atendimento será realizado individualmente ou com o casal.
Da mesma forma que não existem receitas para tudo, esta também é uma questão cuja resposta exige bom senso. É preciso avaliar o grau de animosidade do cliente quanto a participação do cônjuge no processo psicoterápico. Se inicialmente deve ser realizado um trabalho individual, faz-se necessário que com o tempo sejam criadas estratégias para que o cônjuge seja convidado à participação.
Se o problema é meu, eu resolvo; se o problema é seu, você resolve; se o problema é nosso ... Se no passado a decisão de iniciar uma vida em comum foi tomada pelo casal, no presente, a decisão de romper ou não a aliança deve ser tomada em conjunto. Deve-se criar todas as possibilidade para que o casal seja capaz de iniciar e dar continuidade ao diálogo para o enfrentamento do problema.
Um cuidado a se ter é o de não precipitar um término quando os envolvidos não estão totalmente seguros de que é isto o que desejam. Pode-se dizer que tal desfecho é inadequado enquanto não se esgotarem todas as possibilidades de diálogo. Se houver qualquer dúvida se existe ou não amor bem como outros sentimentos positivos entre o casal, deve-se permitir que o tempo também haja como conselheiro.
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