Foram 470 Km, seis horas de viagem com uma parada de 20 minutos. Considerando as duas retenções provocadas pelas obras da Rio Bahia pode-se dizer que foi muito rápida. Durante o trajeto não foi necessário ligar o som (vale dizer que o CD colocado no aparelho é o mesmo que roda há mais de um mês). Embora tivesse deixado os vidros com uma leve abertura para garantir que as senhorinhas não sentiriam falta de ar, ouvi histórias que remontam a 75 anos.
Para minhas tias era a primeira viagem que faziam à Governador Valadares. Meus esforços em distraí-las ou tornar a viagem mais agradável e inusitada mostrando a paisagem que incluía desde os morros de cafezais que minha amiga Leslie Agrain sempre desejou visitar até o cerrado que se constitui na grande paixão de meu amigo Prof. Mauro Augusto, foram em vão. As lembranças que fazem parte da história de cada uma delas as acompanham em todos os lugares não sendo superadas pelo que se pode ver no presente.
É claro que carinhosamente e em todo o tempo cada uma faz algumas sugestões para as outras no intuito de orientar como a outra deverá ou deveria fazer ou ter feito para resolver este ou aquele problema. Mais interessante é que uma sempre diz que a outra não está muito bem da cabeça, de saúde ou que deveria comer um pouquinho menos para reduzir o peso. A maior dificuldade é saber exatamente quem está com um pesinho a mais ou a menos. Apesar das tensões próprias da viagem, a companhia delas tornava interessante o percurso.
Não há como esconder o fato de que ficamos apreensivos quando assumimos a responsabilidade de viajar com, cuidar de, conviver com e fazer algo em companhia dos mais velhos. Se deixarmos de lado nossa zona de conforto relativa ao relacionamento e dedicarmos um pouco de nosso tempo àqueles que praticamente dedicaram à nós todo seu tempo, podemos perceber que devemos viver intensa e constantemente o presente sem jamais sermos presos pelo passado.
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