De fato não sou petista, feminista nem político. Posso ser até
reacionário mas não consigo ficar impassível diante das confusões políticas que
ganharam a cena em Governador Valadares. Tenho certeza de que todos os candidatos
são bem intencionados. Apesar disto, devemos ter consciência de que uns são
mais bem intencionados do que outros! Não é segredo que em tempos de campanha
todos se apropriam dos infortúnios da cidade como tema de palanque. Os
problemas são muitos, é claro: moradores do centro dizem que o trânsito está
caótico; os dos bairros mais centrais que os impostos são altos; os dos bairros
mais afastados reclamam do preço da passagem entre outros. Neste contexto os
preocupados com o futuro clamam por um sistema educacional 100% quando nós
professores mal atingimos os 80.
Na corrida ao poder
há até quem diga que resolverá o problema da saúde de GV quando, de fato, esta
depende não só da política mas sobretudo do interesse e responsabilidade de
cada cidadão. Se efetivamente o objetivo é elevar a saúde deve-se beber menos
cerveja e refrigerantes dando preferência ao velho e saboroso copo d’água.
Churrasco, feijão tropeiro, torresmo de b a r r i g a, nem pesar. Ter saúde
começa com aqueles hábitos saudáveis que não gostamos de praticar exatamente
por conhecê-los. Brilhantes mentes desta cidade dizem que o atraso em que se
encontra GV se deve à mentalidade agrária que a governou. Se é verdade, por que
então do desejo e esforço de colocá-la novamente no poder.
Não sou de GV! Por
este motivo, mesmo que me chamem de forasteiro afirmo que continuarei amando
este lugar e daqui não pretendo mais sair. Assim como eu, tantos outros que
para aqui vieram querem ver esta cidade crescer e dar oportunidades, sobretudo
àqueles que até agora quase não a tiveram.
Precisamos acordar!
Não existem cidades perfeitas, educação perfeita, saúde perfeita. Isto só no
Paraíso (e talvez, pois senão Adão ainda estaria por lá). Nesta cidade há muito
para se construir e isto não se faz em quatro anos. Uma cidade melhor procura
reduzir as disparidades sociais através de investimentos em educação e elevação
do nível de emprego. Nada mais correto do que investir nos bairros mais
distantes do centro, na vinda da Universidade Pública e gratuita, em empregos
de nível fundamental e médio. O objetivo tem que ser o de democratizar o “bem
estar social”, reduzir a extrema pobreza e dar oportunidade de trabalho como
tem sido feito nos últimos anos.
Certamente todos os
candidatos possuem boas intenções. Todos dizem que farão o melhor e tenho
certeza de que tentarão mesmo não sabendo como fazê-lo. Estou ciente de que o
momento ainda é de confiar em quem está fazendo e continuará a fazê-lo. Embora
todos tenham as melhores intenções, percebo que as da Elisa ainda são mais
intenções do que as outras. Para falar a verdade, ao ver e ouvir as
manifestações populares sobre a política uma questão me intriga: Por que em vez
continuar lutando pelo respeito e igualdade, os homens cultos e as mulheres
desta cidade preferem fazer retornar e manter acesa a cultura misógina que fez parte da
história valadarense?
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